Os sistemas de aquaponia utilizam as técnicas de cultivo hidropônicos e semi-hidropônicos, que confiam na água como fonte de nutrientes para as plantas.
Dentre as técnicas herdadas da hidroponia, vemos muito os sistemas de fluxo laminar de nutrientes (NFT ou cultivo em canaleta), o cultivo em ambiente flutuante (cultivo suspenso ou raft beds) e o cultivo em cascalho (grow beds), porém um sistema pouco utilizado de forma integrada é o cultivo em canteiros de irrigação por capilaridade.
Pezinho de purungo começando a se desenvolver em canteiro autoirrigável integrado à aquaponia.
São também conhecidos como canteiros de subirrigação, canteiros autoirrigáveis ou wicking beds.
Princípios de funcionamento dos wicking beds
São vários os tipos e formatos, mas o princípio é o mesmo: a da utilização das propriedades de capilaridade dos substratos. Muitos substratos, assim como o solo, são capazes de "sugar" e transportar a água que está no fundo, devido ao tamanho microscópico de seus poros e à tensão superficial da água.
É por esses mesmos princípios que a água viaja dentro de uma planta: pelos seus tubos capilares.
Alguns substratos são mais indicados para essa função do que outros, mas de maneira geral qualquer mistura para mudas ou hortaliças bem feita terá as propriedades necessárias para funcionar em um canteiro autoirrigável.
O segredo está na montagem do canteiro. Utilizamos algum recipiente impermeável, como tanques, baldes, caixas d`água, ou fabricamos com madeira, buracos escavados no solo ou materiais reciclados, impermeabilizados com alguma lona ou geomembrana.
Enchemos 1/3 do recipiente com pedras, pedregulho grosso ou areia. Essa camada serve para armazenar a água. Na altura dessa camada fazemos um dreno para conduzir a água que se acumula além desse nível para fora do canteiro, evitando o transbordamento para a superfície e o afogamento das raízes das plantas.
O substrato é colocado em cima dessa camada, protegido dela por alguma lona de drenagem, saco de ráfia ou tela sombrite. Essa proteção é importante para evitar que o substrato escape e cubra o fundo do recipiente, o que diminuiria sua capacidade de retenção de água.
É importante ter pelo menos 25cm de altura de substrato, para que você não fique limitado quanto ao tipo de plantas que poderá colocar nesses canteiros.
Os tomates, as pimentas, os pepinos, as abóboras e o milho vão adorar esse ambiente, que poderá também ser utilizado para o cultivo de raízes como cenoura, batata, gengibre e cúrcuma.
Na aquaponia podemos integrar os canteiros autoirrigáveis aos loops de circulação de água.
Para isso vamos transformar o reservatório de água em um canal de água, como se fosse um pequeno riacho subterrâneo.
O bom é podermos controlar a velocidade desse canal, para deixar o substrato mais ou menos úmido como quisermos. A água da aquaponia, após passar pelo fundo do canteiro autoirrigável, deve retornar ao SUMP. O dreno, que impede o alagamento do canteiro, também deve retornar a água excedente para o sump.
O canteiro autoirrigável, quando integrado na aquaponia, aumenta nossas possibilidades de cultivo.
Esse ambiente úmido e oxigenado na medida certa é também apropriado para a produção de mudas. Podemos escolher um cantinho desses canteiros para produzir as mudas que usaremos nos outros ambientes de cultivo.
Aqui no meu sistema tenho três camas de cultivo com subirrigação, uma delas utiliza areia de construção e as outras duas usam misturas diferentes de substratos para fins de experimentação. Gosto de usar as camas de areia para fazer mudas a partir de estacas.
Beterrabas crescendo no meu canteiro autoirrigável com substrato e integrado ao sistema de aquaponia.
Já produzi mudas de mandioca, árvores frutíferas, tomateiros e até hortaliças, preparando uma estaca e colocando para enraizar nas camas de areia.
Quando montar suas camas de cultivo subirrigadas, não se esqueça de soltar nelas uma boa quantidade de minhocas. Elas ajudarão a quebrar os sólidos e manter o ar circulando no substrato pelas galerias que elas cavam.
Bom cultivo!
