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Aquaponia na Amazônia

Escrito por Cleber Alexandre
Em entrevista com Otilene, conheci mais detalhes sobre o seu sistema de aquaponia comercial, que está localizado na cidade de Canutama - Amazonas.

"Vamos salvar a Amazônia com a aquaponia? Por quê não?" - Otilene Santos

Otilene Santos, bióloga brasileira moradora do Amazonas, acaba de faturar o segundo lugar do Prêmio Professor Samuel Benchimol e Banco da Amazônia de Empreendedorismo Consciente com seu projeto "Aquaponia: proposta para produção sustentável de alimentos livre de agrotóxico em escala comercial”.

"Minha estratégia vem sendo usar a aquaponia na produção de peixe amazônico para preservar a floresta em todos os seus aspectos, mostrando principalmente que esse sistema de produção pode desenfrear o crescente desmatamento e o uso indiscriminado dos recursos florestais", afirma Otilene, que venceu 248 projetos inscritos, em critérios de níveis de contribuição para o desenvolvimento regional da Amazônia.

Caixa de cultivo em madeira com cascalho, recebendo cultivo de tomate tutorado. Foto: Otilene Santos

A premiação é oferecida pelo Banco da Amazônia com a participação do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), do Ministério da Integração Nacional (MI), das Federações de Indústrias da Região Amazônica e outras instituições da região amazônica.

Em entrevista com Otilene, conheci mais detalhes sobre o seu sistema de aquaponia comercial, que está localizado na cidade de Canutama - Amazonas, distante apenas 40 km da cidade de Porto Velho - Rondônia.

O município de Canutama tem cerca de 10.000 habitantes e está localizado às margens do Rio Purus. Foto: Kátia Brasil.

A Fazenda Flor de Belita tem 70% dos seus 300 hectares de floresta amazônica intocada, e apenas 3 hectares são produtivos, destinados à aquaponia, agricultura orgânica e agrofloresta. O sistema de aquaponia foi montado em 2016, é composto por 2.000 litros de água em 4 tanques, com tambaquis, e mais 8 metros quadrados de tanques de cascalho para o cultivo de hortaliças.

No Brasil, caixas d'água plásticas, utilizadas na construção civil, são a opção mais populares em sistemas de aquaponia residenciais e comerciais. Foto: Otilene Santos

"A escolha do tambaqui se deve à demanda do mercado regional e por ser nativo da Amazônia. Trata-se de uma espécie com grande potencial para ser comercializado em outras regiões do Brasil."

Cleber Alexandre - Há quanto tempo conhece a aquaponia?

Otilene Santos - Já tinha ouvido falar e feito algumas leituras sobre o assunto. No entanto, em 2011, após integrar o quadro de pesquisadores do Curso de Pós-graduação em Biologia Urbana na cidade de Manaus/AM tive a oportunidade de trabalhar com profissionais da área de aquicultura. Então, foi quando percebi que havia uma possibilidade de integrar meu conhecimento em botânica na prática da aquicultura. Observei que haviam sérios problemas com o descarte dos efluentes provenientes dos tanques dos peixes, e percebi que não havia muito sendo feito para minimizar o impacto ao ambiente.

A aquaponia consorcia peixes e plantas, utiliza apenas 10% da água que a agricultura convencional e é considerado um dos sistemas de produção de alimentos mais sustentáveis atualmente. Foto: Otilene Santos

CA - E há quanto tempo você vivencia a aquaponia na prática?

OS - Muito recente, em 2016. Mas tem sido uma imersão intensa e uma completa dedicação ao aprendizado da técnica, dei um novo rumo em minha vida. Eu e meu esposo (australiano) recebemos certificação para atuar na elaboração e gestão de projetos de aquaponia pelo Instituto de Aquaponia da Austrália em 2015 e no ano seguinte iniciamos a construção de uma unidade experimental de aquaponia na Fazenda Flor de Belita.

O sistema de aquaponia comercial de Otilene consorcia tambaqui (peixe nativo da Amazônia) com tomate, pimentão, pimenta, alface, manjericão, almeirão, couve e coentro. Foto: Otilene Santos

CA - Como aprendeu aquaponia?

OS - Morei na Australia de 2015 a 2016 e durante esse período fiz cursos na área de permacultura e biofertilizantes pelo Instituto de Permacultura da Austrália e um curso específico em Construção e Gestão de Projetos em Sistemas de Aquaponia pelo Instituto de Aquaponia da Austrália tendo como mediador um dos mais reconhecidos profissionais no mundo na área, Murray Hallam. Murray não tem qualificação acadêmica (graduado ou pós-graduado), mas a experiência na área e o carisma com que difunde a técnica o torna uma das maiores referências no mundo em Aquaponia.

CA - E agora, quais os próximos passos para você, em relação à aquaponia?

OS - Estamos em fase de construção da estrutura que irá inicialmente produzir 1.500 unidades de hortaliças/semana. Nosso plano é 1.500 unidades/semana no primeiro semestre de 2018 e dobrar a produção no segundo semestre do mesmo ano. Em 2019 dobrar novamente a produção. Queremos ainda que a nossa marca ganhe espaço no mercado para que possamos atender a demanda local do produto. No lado social, queremos capacitar pequenos e médios agricultores para que adotem a técnica e melhorem de qualidade de vida. Vamos buscar introduzir unidades experimentais nas universidades para que a técnica seja usada como ferramenta para o aprendizado multidisciplinar.

Tambaqui e hortaliças no sistema de aquaponia comercial da Otilene. Foto: Otilene Santos

Otilene representa os novos empreendedores rurais que decidem deixar a cidade em busca da prosperidade do campo, valendo-se da viabilidade produtiva, econômica e social de sistemas produtivos sustentáveis. Ela é formada em Ciências Biológicas, com mestrado e doutorado em Botânica. Recentemente atua também como consultora e pesquisadora em sistemas de aquaponia. Para entrar em contato com Otilene, envie um comentário abaixo!

Confira mais detalhes do prêmio e informações sobre os outros projetosFotos do sistema de aquaponia por Otilene Santos.

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15 comments on “Aquaponia na Amazônia”

  1. Parabéns! Estamos no mesmo ramo, larguei a cidade e moro em um povoado, no qual montei um sistema de recirculação de água para produção de juvenis de tambaquis e estou adaptando a aquaponia para cultivo de hortaliças.

  2. Obrigado Cleber pela divulgação do nosso trabalho. O artigo está informativo, conciso e compreensivo, elementos essenciais de um texto bem sucedido.

  3. Olá. Bela matéria. Sou de Fortaleza e como sabem o Ceará,como todo nordeste, vem sofrendo com a seca nos últimos anos. Gostaria de mais informações para difundir a prática da aquaponia na nossa região. Sou agrônomo e vejo na aquaponia uma boa alternativa para o nosso povo tão sofrido.

  4. Olá, muito bom os resultados alcançados, parabens.

    Como vocês, estou pesquisando muito sobre o assunto e estou muito interessado em montar um sistema comercial aqui na minha região da Serra da Mantiqueira em SP, próximo a Campos do Jordão. Temos uma construção desativada onde era usada para tirar leite de vaca.

    Como faço para adquirir mais informações e tirar muitas dúvidas que tenho sobre o assunto?

    Obrigado

    1. Olá Carlos, obrigado pela visita! Enviei um e-mail para trocarmos umas ideias sobre aquaponia, posso ajudá-lo pois conheço algumas coisas e o que não souber sei aonde conseguir! Abraços

  5. Olá Cleber,

    Atualmente eu vivo em Los Angeles, CA, mas a aquaponia me foi revelada ano passado quando ainda morava em Nova York. Desde então tenho ficado cada vez mais curioso e fascinado com o sistema, não tenho experiência alguma, apenas leituras relacionadas é o que tenho feito. Em sua entrevista com a bióloga Otilene Santos, ela mencionou Murray Hallam e coincidentemente eu estou participando de curso de design no qual ele é o tutor. A minha idéia é criar um projeto na Chapada Diamantina na Bahia, para tentar mudar o conceito ou apresentar uma alternativa a irrigação convencional que tem elevado bastante o número de poços artesianos além do aumento de uso agrotóxico nas lavouras. Gostaria de compartilhar as minha idéias e projeto, sugestões serão muito bem vindas!
    Abraços

    1. Olá Renato, o curso do Murray é um bom ponto de partida, se precisar de mais informações, manda uma mensagem! Será um prazer contribuir com seu projeto, um abraço e obrigado pela visita!

  6. Olá Cleber.
    Estamos em fase de implantação do nosso sistema, eu e minha esposa deixamos os empregos para iniciar esta jornada.
    Desde já agradeço as informações transmitidas por você, um grande abraço.
    E sim eu desejo falar com a Otilene, como faço?

    1. Olá Robson! Passei os contatos dela no seu e-mail. Obrigado pela visita e parabéns pela coragem de vocês, não é fácil fazer essa transição de carreira. Abraços!

  7. Boa noite Cleber meus parabéns por estar incentivando estes sistema de cultivo. Estou interessado em implantar esse sistema em minha casa moro em Manaus em uma comunidade no Tarumã Morim e gostaria do apoio de vocês, se for possível.

    1. Olá Adalberto, boa noite. Agradeço sua visita ao site e o seu comentário. Bem, estou reformando meu sistema aqui de Curitiba então se precisar de alguma dica ou quiser trocar ideia é só entrar em contato, abraço!

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